Raio-x
Como está um indicador e como ele chegou até aqui: o dado oficial, a série histórica, o contexto e o que observar. Sem veredito, sem lado.
Como um Raio-x é feito
- Fonte primária primeiro. Todo número vem de IBGE, Banco Central, Tesouro, Diário Oficial e órgãos equivalentes, com data de consulta.
- Valores em reais corrigidos pela inflação, com o mês de referência declarado.
- Quem paga e quem recebe. Toda medida mostra de onde sai o dinheiro e para onde vai.
- Duas leituras. Quando há divergência, mostramos o argumento mais forte de cada lado, com a mesma atenção.
- Revisão antes de publicar. O texto passa pelas regras contra viés, e erros viram erratas.
Exemplo publicado: dívida das famílias e Desenrola 3.0
Em julho de 2026, 28,7% da renda das famílias foi para parcelas e juros de dívidas com bancos, na média (Banco Central, com ajuste sazonal): o maior valor desde 2005, início da série. Só de juros, foram 10,8% em julho, um recorde da série. A inadimplência das pessoas físicas foi de 6,03% em agosto de 2026, a maior desde 2011.
O Desenrola 3.0 (MP 1.393, de 25/09/2026) permite à União comprar em leilão dívidas de menos de R$ 10 mil, atrasadas de 720 a 1.645 dias, com desconto mínimo de 90%.
Quem paga: o Orçamento federal, com teto de R$ 15 bilhões previstos para 2027 e 2028. Pela MP, só volta o que os devedores pagarem; o resto é custo, ainda sem estimativa. Quem recebe o dinheiro são os credores que venderem as dívidas.
Duas leituras: a Fazenda diz que o programa tira dívidas antigas dos balanços e devolve crédito às famílias. Analistas ouvidos pela imprensa dizem que é um alívio, e não um combate às causas do endividamento, e que o problema pode voltar, como depois do primeiro Desenrola.
Os Raio-x completos, em carrossel e vídeo, ficam no Instagram e no TikTok.